quarta-feira, 28 de julho de 2010

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Ultimamente tenho passado por algumas situações bem chatas. Não só no trabalho, mas em casa também. E daí eu fico pensando em até que ponto uma pessoa pode chegar com a falsidade, o interesse e o sinismo. Eu não sei como consegue por a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo. Não entendo mesmo.


Claro que não vou citar nomes das pessoas que têm me incomodado com isso, elas sabem quem são. Eu fico na minha, não vou criar confusão de graça. Mas que dá vontade de pegar e sacudir até ela se dar conta do erro que está cometendo, dá. E se dá. Assim como é difícil achar alguma pessoa que seja fiel e confiável, amigos de verdade são poucos. O pior é ver que as pessoas que têm em quem confiar, as colocam no lixo como se fossem nada. Isso porque sabem que nada vai acontecer - queria ver o que aconteceria se elas os largassem. Ficariam perdidos, sem saber por onde começar.


Algumas das pessoas que traem os maridos ou mulheres dizem: "Cansei da nossa rotina e fui buscar novas opções", "Já não era mais a mesma", entre outras clássicas. Claro que essas frases não se aplicam apenas a homens, mas a mulheres também. Acho até que está nivelada a traição. Foram-se os tempos que só homens traíam. Infelizmente, isso só piorou. Todos sabem o quanto é satisfatório se vingar, mas o velho ditado já diz tudo, "um erro não justifica o outro". Eu vejo tudo tão simples: não gosta, se afasta. Não satisfaz, termina. Não confia, não fala mais. Simples. Mas não, é bom inventar a história mais mirabolante pra passar por cima e depois pensar sozinho em como ela foi capaz de acreditar no que foi dito.


Eu ainda sou capaz de comparar pessoas que fazem em isso com criminosos, porém com crimes menos graves. Mas estão enganando igual. Pensam de forma suja do mesmo jeito. O maldito jeitinho brasileiro de driblar a lei, a verdade e o amor. A raiva que eu sinto é tão ruim. O pior é que eu vejo tudo e não posso fazer nada, só escrever pra tentar expor. O que eu mais gostaria é pegar o telefone e sair ligando para todos que eu sei que são enganados e contar, pegar aqueles que são bobos e sacudir até eles verem que o que está na frente não é o que parece e, em alguns casos, ser franca ao ponto de dizer que não vai com a cara.


Pegar as malas e ir pra algum lugar onde as pessoas não sejam fúteis, não mintam e mesmo que sejam grosseiras digam o que pensam. Só que o social não permite isso. Aquele padrão formado por uma sociedade que carrega todos os dias um sorriso amarelo para as pessoas que não gostam e dizem gostar daquilo que odeiam. Eu não faço mais isso. Meu rosto cansou, assim como eu mesma. Meus dentes cansaram de serem vistos quando não deveriam. Agora eu os guardo com cuidado para que somente aquelas pessoas que eles gostariam de aparecer os vejam. Bem melhor assim. Não é preciso briga nem discussão. Apenas sejamos sinceros o bastante para assumirmos aquilo que gostamos ou não. Odiar ou amar não é errado, mas sim fingir. Pena que isso esteja ao contrário. E sim, termino o post de hoje assim: direta e seca. Não gosto de fingir que estou feliz por escrever isso mesmo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Correndo atrás de médicos

Voltando à normalidade trágica das matérias do VitoriaeJornalismo, nesta semana retomo as notícias tristes e alerto alguns acontecimentos que devem ser criticados por toda a população e não só a mídia.

Há algum tempo, dia 16 de julho, uma criança foi baleada na cabeça por uma bala perdida em meio a um suposto assalto. Qual a sensação de uma mãe perante uma filha baleada que não consegue achar atendimento? Qual seria a sua reação sabendo que a criança pode morrer a qualquer hora, enquanto ela perde sangue e o risco de sequelas é cada vez maior conforme o tempo que passa? Foi o que a mãe de uma menina de 1 ano e 11 meses passou ao ter a filha baleada. A tragédia aconteceu em Belém, enquanto a mãe, a filha e o pai, investigador de polícia Izan Campos Bezerra, passeavam em uma pracinha.

Ao perceber que dois elementos se aproximavam, o policial logo ficou atento. A bala dos assaltantes acertou a cabeça da criança. O pai logo sacou a arma, mas os envolvidos já tinham fugido em meio ao tumulto do local público. Desesperado com o que havia acontecido, o pai da criança saiu em busca de atendimento junto da mãe nos hospitais da região. Tudo normal até então, mas e quem diz que tinha atendimento disponível? O casal não tinha condições de pagar um hospital particular, apesar de terem buscado ajudado em um. A maratona atrás de especialistas - neurocirurgiões - durou cerca de duas horas, depois de visitarem 6 hospitais em busca de ajuda. Inacreditável que isso aconteceu em um país que se diz estar evoluindo tanto. Provável que o crescimento seja nas contas bancárias e não em investimentos de saúde, de educação e de moradia.

Saber desse acontecimento é revoltante. Não sei se teria tido a calma dos pais. Eu teria buscado ajuda do mesmo jeito, mas acho que retornaria em todos os hospitais que não tinham me atendido para fazer algum protesto ou algo do tipo. Eles não podem ficar impunes. Quanto mais as pessoas continuarem quietas, mais situações de tal nível acontecerão. Pessoas morrem nas filas à espera de cirurgias, doações, atendimentos simples como o da menina. A menina se encontra fora de perigo agora e em breve retomará a vida normal, mas e o acontece com as pessoas que não têm essa sorte? A família seria a única em desvantagem. Para o hospital seria apenas mais um caso.

Denunciem casos como esse e exijam os direitos. Ainda acredito que um dia investirão nos hospitais como farão nos estádios pra Copa de 2014. Que os futuros médicos se preocupem também com a estrutura e com os atendimentos oferecidos. Chega de tanta indiferença e egoísmo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Cinemando antes do fim de semana

Tempo ruim, frizz, preguiça, frio, vontade de comer e o fim de semana cada vez mais próximo. Seguindo a maré de boas notícias dessa semana, vou dar algumas dicas sobre filmes bons - segundo minha opinião - para serem assistidos. Como não tenho uma preferência em relação aos gêneros vou fazer uma mistura dos que eu mais gostei e que são recentes.



Começando pelo mais óbvio e que muitos já devem ter visto - eu era exceção entre os que diziam que não tinha assistido ainda: Avatar. Agora eu entendo toda a falatória que teve em cima do filme. Os efeitos são o máximo e deve ter sido sorte grande para aqueles que viram em 3D. Terminei o filme querendo ser um deles: azul, alto, com um rabo bonito e o cabelo que se conecta com muitas funções ao redor. Não vou contar como é, senão perde a graça. Vale a pena conferir e descobrir o que realmente acontece. Uma das questões que levantei no fim foi: será que isso saiu tudo de uma cabeça normal? Sem drogas ou afins? Acho difícil. Muitas cores, formatos diferentes, dimensões. Incrível mesmo.




Segunda dica e a minha preferida: Bastardos Inglórios. Não deixa de ser uma ficção, mas é impressionante o que o Tarantino consegue fazer com uma câmera e uma história mirabolante. O filme gira em torno da Segunda Gerra e uma família. Também não posso dizer o que acontece, mas garanto que é supreendente e é capaz de sairmos sonhando que tivesse mesmo acontecido. Sou apaixonada por filmes que falam sobre a Segunda Guerra. Não canso de ver. Pode até ser meio trágico, mas acho que para entender algo de tal nível é preciso muito conhecimento. Outra dica: Band of Brothers. Um seriado ótimo que foi transformado em 5 cd's, cada um com dois capítulos relatando a vida de personagens reais. Pra terminar a "saga holocausto", Noite e Neblina. Não aconselho pra quem não gosta de cenas fortes, mas dá uma boa noção do que se passou naqueles anos frios e temidos pelo mundo.




Para acalmar os ânimos, 5oo Dias com Ela. Esse filme é demais. Um romance que não é romance, mas é. Foge de todos os outros. Por não seguir uma trajetória linear, acaba sendo mais legal ainda. E pra quem gosta dos mais costumeiros, em que tudo dá certo e é colorido: De Repente É Amor. É um dos que eu mais gosto dos romances. Esses são os tops da minha lista. Pra quem está solteiro o primeiro é mais indicado - evitem o choro. Já o segundo é pra quem está apaixonado e quer fica com cara de abobado na frente da televisão. Ambos apaixonantes.





Não sei o que indicar de suspense ou terror. Prefiro evitar e dormir bem tranquila. Segundo vozes amigas, me disseram que Atividade Paranormal e Contato de Quarto Grau são "legais". E se for pra assistir alguma coisa mais punk, com mortes e braços pelo chão, indico O Massacre da Serra Elétrica, Jogos Mortais (todos eles) e O Albergue. Prefiro ver assassinatos do que espíritos. Por isso que eu não tenho experiência com esse gênero. Mesmo assim fica a dica.



Pra terminar a sessão cinema, semana passada assisti pela terceira vez Ensaio Sobre a Cegueira. É muito bom mesmo. Faz a gente refletir bastante sobre as coisas que estão ao nosso alcance e podem não estar mais em um piscar de olhos, literalmente. Ao mesmo tempo, o filme oferece revolta e emoção.

Bom, essas são as minhas dicas pra quem quer ficar em casa e vegetar um pouco. Caso contrário, liguem pros contatos que estão enterrados no baú que vocês brigaram porque demorou pra responder no MSN e saiam pra fazer alguma coisa. Ou então, chamem uma companhia pra assistir junto. Espero ter ajudado.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Marcado na pele de vez

A pedido de leitores vamos deixar as tragédias de lado por uns dias - não me seguro mais do que três. Mas daí eu me pergunto: o que eu vou escrever? Eu nem sei se eu sei escrever coisas que não sejam deprimentes ou que eu posso criticar pra tentar abrir os olhos dos que não enxergam. Então, ontem resolvi fazer a matéria sobre a viagem pelo Rio Amazonas e hoje vou escrever um pouco sobre tatuagens, só pra perder o costume das desgraças.

Neste fim de semana passado, fui com a minha irmã selar de vez a nossa união e tatuamos o símbolo do infinito - aquele 8 deitado -, eu no braço e ela no pé. Digamos que foi meio sofrido, mas valeu a pena. Inclusive conversei com o tatuador sobre pessoas que levam isso a sério demais, tatuando coisas imprevisíveis em lugares imprevisíveis. Tatuar algo no corpo é muito delicado. Além de ficarmos para o resto da vida com isso - alguns dão um jeito de tirar -, é preciso procurar aonde fazer, os cuidados que vão ser tomados e o que tatuar. Sem dúvida, os campeões dos arrependimentos são os nomes de namorados, maridos, etc. Algumas pessoas utilizam da própria tatuagem para esconder cicatrizes, tatuagens anteriores e, até mesmo, criarem um estilo para si próprias. Alguns exemplos abaixo:





Falar sobre tatuagens é complicado. Ainda existe o preconceito perante pessoas que se tatuam por todo o corpo e isso compromete até vagas de emprego. Com certeza o caráter da pessoa não é formado por aquilo que é tatuado. Não sei se teria coragem de tatuar algo grande no corpo, principalmente pelo arrependimento e por fazer jornalismo. Mas tal pré julgamento não deveria existir. Tanto se fala na liberdade de expressão e vejo a tattoo como uma dessas formas. O piercing também é visto de má forma por algumas pessoas, mas esse estilo de vida cresce cada dia mais. Tornou-se uma forma de sobrevivência de muitas pessoas e são considerados meios comerciais como qualquer outro estabelecimento. Em estúdios de tatuagem são vendidas camisetas, bonés, utensílios para estilizar piercings ou tattoos, além de proporcionar ao cliente opções de escolha e dicas.












Mesmo que muitas pessoas conhecidas já estejam se destacando com tatuagens, é preciso ter cautela na hora da escolha. Talvez um dia isso não seja visto como um problema. Até porque não se trata apenas de preconceito, mas também de saúde. A agulha pode transmitir doenças e comprometer a vida de muitos. Por isso que todos os estúdios deveriam levar a sério o fato da idade, higiene e cuidados pós a tatuagem - grande maioria já se preocupa. Não digo que sou a favor de tatuagens exageradas como as fotos anteriores, mas sim indiferente. Jamais julgaria uma pessoa por ela ter uma tatuagem a mais ou a menos como muitos fazem. Caso esses não tenham percebido, muitas pessoas que nem sequer têm tatuagens estão nas ruas roubando e prejudicando pessoas que não têm culpa de nada.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Mochilando a la Indiana Jones

Quem acha que já mochilou de verdade que volte atrás. Acabei de descobrir o que é aventura de verdade e ela se chama Ed Stafford. Neste verão pude viajar com a minha irmã pela Europa e já tive uma ideia do que é carregar 15 kg nas costas. Dói, pesa e não é simples. Ainda mais pra quem anda apenas de ônibus, metrô e afins. Mas agora, e aqueles que só vão a pé?

Sim, o homem aventura trocou a sua vida tranquila e querida por muitos na Inglaterra, por uma aventura que dura cerca de 2 anos e 3 meses no Amazonas. O inglês de 34 anos está caminhando pela extensão do Rio Amazonas e ainda não terminou a sua jornada. O objetivo é terminar a caminhada dentro de alguns meses. Até porque o planejado era caminhar durante um ano. Digamos que os planos mudaram um pouco de rumo.

Segundo informações do site mochileiros.com, o aventureiro enfrentou perigos como cobras, onças, traficantes pelas áreas peruanas e ainda tinha a dificuldade com formigas e mosquitos. No seu próprio site ele está documentando a aventura através de imagens, de vídeos da jornada e postando alguns dos artigos que foram publicados em grandes meios de comunicação como a BBC. Vale a pena conferir:
www.walkingtheamazon.com

Abaixo seguem algumas das imagens contidas no site:

Sem dúvida a viagem está proprocionando bons momentos, mas muita dificuldade. Ed Stafford conta com a ajuda de doações de dinheiro para a viagem. Cerca de 192 mil reais foram gastos. No site é possível ver e doar. No início da viagem, dia 2 de abril de 2008, Stafford contava com um companheiro, o qual desistiu aos três meses da mochilada. Além dele, outras pessoas formam a equipe para que ele consiga atingir o objetivo. Desde fotógrafo, até tradutores, relações públicas, guias entre outros. Até hoje, ele completou 838 dias de viagem. Não se sabe quanto tempo mais ele vai demorar, mas pretende cumprir no tempo que for preciso. Além dos animais, ele tem de enfrentar o problema de comida, comunicação e tudo o que se refere a saúde. O laptop, patrocinadores, celulares e, claro, a força de vontade, têm dado a Ed Stafford condições para terminar bem a viagem. Acompanhemos!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dinheiro sempre na frente

Quando que o dinheiro não ganha? Aposto o meu dinheiro que o dinheiro está invicto. O polvo diria o mesmo. É, volto a me indignar com isso. Mortes de pais, amantes, filhos e todas elas saem pela porta de trás. Aonde ninguém vê, ninguém fica sabendo, muito menos lembra o que aconteceu. Sei que o caso que levantarei hoje já é passado para todos, mas não podemos deixar que fique calado e enterrado.


Todos os dias crianças e adolescentes sofrem com a humilhação e apenas uma pequena parte dela é que age. O famoso bulling, que está passando dos limites. Normalmente, estas crianças são aquelas que têm pais tão inconsequentes quanto elas, os quais deixam tudo passar e escondem o problema com compras, viagens e babaquices. É o que aconteceu com a família Sirotsky. Por que não sabemos ou ouvimos falar disso? Oras, porque ele é o filho do Sirotsky, simples. Eles têm dinheiro, nome e, o mais importante, controlam o maior meio de comunicação do sul.


Para não dizer que nada foi dito nos jornais, alguns publicaram notas mínimas, bem nos cantinhos, contando sobre um tal de estupro com uma menina e mais alguns meninos. Tudo meio estranho, meio sem conteúdo. Meio impune, meio quieto, meio cheio de dinheiro. É por isso que o menor de idade não irá para a cadeia, até porque aqui no Brasil os menores não sofrem penas. Mesmo quando cometem crimes tão graves ou mais do que um adulto.


Quem não sabe, há algumas semanas, o filho do "grandão" da RBS resolveu vingar-se junto de mais dois amigos (um filho de um delegado e o outro não se sabe) graças a um término de namoro. Segundo informações contidas em sites independentes, o filho do delegado teria terminado o namoro com uma menina (menor de idade também) e resolveu vingar-se. A vingança foi o estupro em grupo. Para que isso acontecesse, foi dado a ela o conhecido "Boa Noite Cinderela" e, então, ela foi levada a casa do mini Sirotsky. A própria mãe do menino o pegou no flagra, mas é claro que tentou evitar que o caso viesse à tona. Veio, mas não como deveria.


É difícil achar matérias sobre o caso. Tudo foi muito bem abafado. As notas de cem tem um poder e tanto contra repercussão e barulho. Agora, todos estão voltados para o caso Bruno. Esqueceram disso. O menino sairá impune, assim como ele mesmo disse nos sites de relacionamento. Aonde ria dos xingamentos que eram feitos, brincava com o caso e passava dos limites, mais uma vez. É, não tem jeito mesmo. O dinheiro está sempre na frente. Ainda tenho esperança de que um dia isso mude. Que as leis sejam aplicadas para todas as idades e que as pessoas que merecem tenham seus direitos exercidos. Não sei porque insistem em punir coisas bestas que poderiam ser resolvidas com algum tratamento ou então, apenas com um trabalho. Uma vaga, oportunidade. Mas não, eles gostam de criar problemas, de fugir dos reais. O pior é que eu não posso dizer, explicitamente, quem são eles. É contra essa lei aí.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Doem ajuda

Doem! Doem sangue, comida, órgãos, mas, por favor, doem roupas. E já! Esses últimos dias de frio têm sido o grande inimigo daqueles que dormem pelas ruas. O vento é o grande culpado pela sensação térmica, mas não há o que fazer. Apenas se agasalhar.


Cães, gatos, pessoas, crianças. Todos nas ruas geladas à espera de doações - de todos os tipos possíveis. Hoje de manhã, enquanto colocava as roupas mais quentes (uma básica comprida, lã, blusão, casaco, meias grossas, cachecol e por aí vai) para ir ao trabalho, percebi o terror que deve ser dormir em meio ao vento, chuva, frio e barulho. No fim da tarde já é possível ver pessoas arrumando suas "camas" com papelão, colchões - se é que eles têm - e, normalmente, ele de acompanhante: o álcool. Mas é claro. Quem consegue pegar no sono sóbrio estando nas calçadas? É estranho ver a prefeitura tomando atitude de "vamos retirar as pessoas da rua que o frio está aí". Não adianta retirá-las por duas semanas e depois tudo voltar como estava. Onde foram parar as sumidas políticas socias e de inclusão? Devem ter ido embora graças ao vento forte destas madrugadas.


Imaginem dormir com um ou dois cobertores no máximo, sem as quatro paredes que impossibilitam o frio de entrar, sem o pijama de inverno ou os meiões de dormir e, para alguns, com o ar condicionado desligado. É. Uma boa parte da população vive isso todos os dias. Sem esquecer do banho, comida, família e dignidade, lógico. Eu enloqueceria. O mais difícil é pensar que pessoas as quais hoje estão ali um dia já tiverem uma vida melhor. Alguns com trabalho, filhos a cuidar, contas a pagar, mas perderam tudo e, agora, já não encontram mais oportunidades. Afinal, quem daria um emprego a quem chegasse e dissesse: "Olha, eu moro na rua, não sei aonde minha família está, mas quero mudar de vida, me dê uma chance"? Isso jamais daria certo. O preconceito está vivo e o dinheiro também.

Ajudem da forma que der. Seja com um cobertor ou roupa. Levando um copo de café quente pra quem puder. Essas pessoas só terão outra chance se alguém estiver do lado e é possível fazer isso. Comecemos com um gesto simples, mas comecemos. A campanha do agasalho é outro meio de participar - apesar de que eu acho que muita roupa boa seja desviada, por isso prefiro fazer sozinha. De qualquer forma é uma ajuda. Enfim, doem ajuda.


quinta-feira, 8 de julho de 2010

Impunidade através do dinheiro

Fácil cometer um crime cruel no Brasil tendo dinheiro ou sendo famoso. Todos anos algum escândalo aparece na mídia com enfoque maior que os outros por se tratar de pessoas famosas ou por estar bem financeiramente. Se é alguém que mora na vila ou que nunca apareceu antes nos meios de comunicação não merece a devida denúncia. Não concordo com isso.



Não sei se me indigno por eles sairem ilesos (os que têm dinheiro), por não divulgarem casos que acontecem em famílias de classe baixa ou se pelos dois. Aonde foram parar os direitos iguais que tanto falam? Não podemos confiar totalmente na polícia ou na justiça, pois sabemos que sempre alguém está envolvido com o dinheiro para libertar ou então dar pena menor. Deve ser por isso que os julgamentos de pobres não são tão "eufóricos", ninguém ganha nada mesmo. Pessoas conceituadas e graduadas em ótimas faculdades que estão ali por uma conta mais recheada, ao invés de estarem ali para melhorar um país que sofre cada vez mais devido à ganância e ao egocentrismo. Creio que os pincípios foram por água abaixo.


Este ano a grande "bola da vez" é o caso do goleiro Bruno. Ainda não se sabe exatamente o que aconteceu. Há vários envolvidos, desde amigos até o próprio primo menor de idade. Todos eles envolvidos, claro, por dinheiro. Aliás, o caso todo ocorreu graças ao maldito dinhero. Eliza queria provar que o filho era dele, mas ele não aceitou daí resolveu o mais fácil: "Tenho dinheiro, tenho capangas, logo, vou matá-la". Simples para uma mente doentia e com conforto a sua volta. Claro que não é somente esta versão que está explícita. Cada um tem uma história diferente, o que envidencia que algo de errado tem, lógico. Há dois anos atrás, em 2008, ocorreu o caso do de Isabella Nardoni que, somente este ano teve o julgamento final. Duvido que eles paguem a pena que realmente deveriam pagar. Assim como o caso dos Von Richthofen. Todas as revistas e jornais faziam questão de afirmar: "a menina estudante de classe média que matou os pais e planejou o crime". Por que a menina de classe média? Se fosse de classe baixa seria aceitável porque ela não teria estudo? Não! Isso não pode ser aceito. Muitos menos pessoas cruéis que cometem crimes assim sairem ilesas.


As mídias deveriam repensar sobre os seus conceitos antes de publicarem apenas o que for de seus próprios interesses. Aqueles que não têm dinheiro também merecem tal exposição falando de casos tão absurdos. Em relação à justiça, eles deveriam realmente cumprir as penas que cada um merece independente do curso que fizeram, da conta bancária ou então o espaço que conquistaram na televisão, rádio ou jornal. Ordem e progresso, não?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Festas ou latas de sardinha, dá na mesma.

Por que colocar tantas pessoas no mesmo local? Dinheiro, óbvio. Toda festa é a mesma história: pessoas em todos cantos bebendo até não poder mais - algumas passando mal -, homens e mulheres desesperados por outros, sem espaço para dançar, calor infernal e, de bônus, cheiro de cigarro por três dias à prova d'agua, incluso de shampoo e condicionador.

Toda semana passo pela mesma situação e estou cansando. Sei que há outras pessoas na mesma situação, mas o grande problema é, sem dúvida, que ninguém reclama e todos continuam saindo nas mesmas festas de sempre. Além desse problema da superlotação, pagamos alto por isso. Sim! A gente gosta de sofrer e, pra completar, pagamos para sofrer. Faz sentido? Não, eu sei. Semana passada fui comemorar meu aniversário em uma das casas que, até 2009, eu tinha gosto em pagar por. Esse ano é diferente. Pessoas aleatórias frequentam a casa e as músicas já não são mais as mesmas. Mas admito que eu frequento, até porque não consigo me divertir com funk ou sertanejo.

Mudando de assunto e, voltando ao anterior, gostaria de saber o que está acontecendo com os donos desses estabelecimentos. Sei que o objetivo de todos é fazer com que o maior número de pessoas entre e que todos consumam até a última gota de álcool. Sim, isso faz sentido. Mas será que eles não temem a perda dos clientes fiéis que fizeram a casa crescer e chegar a tal "fama"? Pelo visto não. Conheço pessoas que deixaram de ir a festas que até então iam todos os finais de semana e optam por sair na casa de amigos ou festas mais calmas - para não encarar toda confusão. E outra, onde jogaram as janelas? Provável que no lixo. Não consigo entender como isso é permitido. Mesmo que o ar condicionado seja responsável pela troca do ar, não há algum que consiga remover a fumaça de cigarro, mais o calor humano, fora a fumaça do dj. Coitadas das pessoas que são baixas ou têm pressão baixa.




Outro problema: está tudo muito caro. Para entrar, cobra-se cerca de 15 reais nas festas mais baratas, mais a cerveja - 5 reais a mais barata -, água - uns 3 reais, no mínimo -, fora a ida e volta de táxi. Mesmo que seja perto não é um custo baixo, até porque, como já é tarde o táxi começa a corrida lá pelos 3 reais. Resumo: mínimo de 30 reais por festa. Resultado: sofrimento dos que trabalham para pagar por isso. Consequência: Uma festa por fim de semana, muito bem selecionada e com o maior cuidado para não gastar em vão. Imaginem quando a festa é ruim e tudo isso é jogado fora, praticamente. Deveríamos rever nosso conceitos antes de sair gastando o desnecessário e lutar por direitos mais justos - além dos proprietários das noites. Seja uma festa com janela, mais barata e com espaço para caminhar sem levar alguns pés junto para a casa.