Voltando à normalidade trágica das matérias do VitoriaeJornalismo, nesta semana retomo as notícias tristes e alerto alguns acontecimentos que devem ser criticados por toda a população e não só a mídia.
Há algum tempo, dia 16 de julho, uma criança foi baleada na cabeça por uma bala perdida em meio a um suposto assalto. Qual a sensação de uma mãe perante uma filha baleada que não consegue achar atendimento? Qual seria a sua reação sabendo que a criança pode morrer a qualquer hora, enquanto ela perde sangue e o risco de sequelas é cada vez maior conforme o tempo que passa? Foi o que a mãe de uma menina de 1 ano e 11 meses passou ao ter a filha baleada. A tragédia aconteceu em Belém, enquanto a mãe, a filha e o pai, investigador de polícia Izan Campos Bezerra, passeavam em uma pracinha.
Ao perceber que dois elementos se aproximavam, o policial logo ficou atento. A bala dos assaltantes acertou a cabeça da criança. O pai logo sacou a arma, mas os envolvidos já tinham fugido em meio ao tumulto do local público. Desesperado com o que havia acontecido, o pai da criança saiu em busca de atendimento junto da mãe nos hospitais da região. Tudo normal até então, mas e quem diz que tinha atendimento disponível? O casal não tinha condições de pagar um hospital particular, apesar de terem buscado ajudado em um. A maratona atrás de especialistas - neurocirurgiões - durou cerca de duas horas, depois de visitarem 6 hospitais em busca de ajuda. Inacreditável que isso aconteceu em um país que se diz estar evoluindo tanto. Provável que o crescimento seja nas contas bancárias e não em investimentos de saúde, de educação e de moradia.
Saber desse acontecimento é revoltante. Não sei se teria tido a calma dos pais. Eu teria buscado ajuda do mesmo jeito, mas acho que retornaria em todos os hospitais que não tinham me atendido para fazer algum protesto ou algo do tipo. Eles não podem ficar impunes. Quanto mais as pessoas continuarem quietas, mais situações de tal nível acontecerão. Pessoas morrem nas filas à espera de cirurgias, doações, atendimentos simples como o da menina. A menina se encontra fora de perigo agora e em breve retomará a vida normal, mas e o acontece com as pessoas que não têm essa sorte? A família seria a única em desvantagem. Para o hospital seria apenas mais um caso.
Denunciem casos como esse e exijam os direitos. Ainda acredito que um dia investirão nos hospitais como farão nos estádios pra Copa de 2014. Que os futuros médicos se preocupem também com a estrutura e com os atendimentos oferecidos. Chega de tanta indiferença e egoísmo.


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