quarta-feira, 14 de julho de 2010

Doem ajuda

Doem! Doem sangue, comida, órgãos, mas, por favor, doem roupas. E já! Esses últimos dias de frio têm sido o grande inimigo daqueles que dormem pelas ruas. O vento é o grande culpado pela sensação térmica, mas não há o que fazer. Apenas se agasalhar.


Cães, gatos, pessoas, crianças. Todos nas ruas geladas à espera de doações - de todos os tipos possíveis. Hoje de manhã, enquanto colocava as roupas mais quentes (uma básica comprida, lã, blusão, casaco, meias grossas, cachecol e por aí vai) para ir ao trabalho, percebi o terror que deve ser dormir em meio ao vento, chuva, frio e barulho. No fim da tarde já é possível ver pessoas arrumando suas "camas" com papelão, colchões - se é que eles têm - e, normalmente, ele de acompanhante: o álcool. Mas é claro. Quem consegue pegar no sono sóbrio estando nas calçadas? É estranho ver a prefeitura tomando atitude de "vamos retirar as pessoas da rua que o frio está aí". Não adianta retirá-las por duas semanas e depois tudo voltar como estava. Onde foram parar as sumidas políticas socias e de inclusão? Devem ter ido embora graças ao vento forte destas madrugadas.


Imaginem dormir com um ou dois cobertores no máximo, sem as quatro paredes que impossibilitam o frio de entrar, sem o pijama de inverno ou os meiões de dormir e, para alguns, com o ar condicionado desligado. É. Uma boa parte da população vive isso todos os dias. Sem esquecer do banho, comida, família e dignidade, lógico. Eu enloqueceria. O mais difícil é pensar que pessoas as quais hoje estão ali um dia já tiverem uma vida melhor. Alguns com trabalho, filhos a cuidar, contas a pagar, mas perderam tudo e, agora, já não encontram mais oportunidades. Afinal, quem daria um emprego a quem chegasse e dissesse: "Olha, eu moro na rua, não sei aonde minha família está, mas quero mudar de vida, me dê uma chance"? Isso jamais daria certo. O preconceito está vivo e o dinheiro também.

Ajudem da forma que der. Seja com um cobertor ou roupa. Levando um copo de café quente pra quem puder. Essas pessoas só terão outra chance se alguém estiver do lado e é possível fazer isso. Comecemos com um gesto simples, mas comecemos. A campanha do agasalho é outro meio de participar - apesar de que eu acho que muita roupa boa seja desviada, por isso prefiro fazer sozinha. De qualquer forma é uma ajuda. Enfim, doem ajuda.


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