- Vitória, a gente precisa conversar contigo rapidinho. - Disse meu chefe em um tom calmo e claro.
Segui até a sala de reuniões com o meu novo colega e amigo de estágio e aguardava pelo esperado: a notícia da saída definitiva da minha outra colega de estágio. Não seria surpresa para mim, já que havíamos conversado sobre o trabalho há alguns dias. Fiquei sentada, esperei o início do assunto, mas vi que as expressões passaram a ficar mais preocupantes e que alguma coisa não estava normal, mas ainda não sabia o quê. Continuei calma, afinal, já sabia o anunciado. Foi aí que começou:
- A Assessoria teve mais uma reunião com o "pessoal lá de cima" e ficou decidido que a nossa colega não permanecerá no estágio. Ainda não se sabe o motivo definitivo. Mas...
Foi com aquela conjunção adversativa que nunca me assustou no colégio que eu vi que dessa vez ela não me traria boas notícias. E ele continuou:
- Ficou decidido que, com a saída dela, o departamento de escrita e mídias sociais vai precisar de reforço. Logo, tu vais ter que passar a ficar mais com eles do que com a gente.
Eu nunca esperei por isso e, por mais incrível que pareça, eu não consegui raciocinar naquele exato momento. Foram segundos gelados e eu ri. Acho que o nervosismo foi o culpado. Mas depois de mais uns pensando e vendo que eu deixaria de fazer o que mais me animava e que eu amava eu vi:
- Olha, não sei se vou aguentar muito tempo fazendo isso. Eu entrei aqui por outras razões e são elas que me mantém aqui dentro.
O olhar era de total compreensão. O meu chefe sabia o que estava acontecendo e soube que a minha reação não era positiva. Fiquei alguns minutos tentando entender a situação depois que ele saiu da sala e conversei com o meu colega. Ele parecia bem mais chocado do que eu, o rosto estava perplexo e eu ria. Não sei como, mas de algum jeito eu acho que já esperava por uma situação desagradável. Logo depois, me encaminhei pra voltar pra casa e aí a ficha começou a cair.
No ônibus, ouvindo música, foi quando senti aquele nó na garganta. Não é fácil se receber uma notícia assim, do nada. Eu não sabia o que era melhor, se havia algum culpado na história, o que meus pais pensariam, mas eu só consegui definir que aquilo não ia me fazer bem. Que ficar dentro de um lugar que me fez bem por tanto tempo e me trouxe tantas alegrias por estar fazendo o que eu gosto, me deixaria muito decepcionada. Um pouco mais a cada dia. Quando entrei em casa, minha mãe veio feliz falar comigo, dizendo que ia ter churrasco, mas eu não demonstrei e respondi: "Vou sair do Grêmio".
Aquilo me doeu muito, ainda mais por pensar que eu não tinha para onde ir, nenhum estágio, nada. Apenas as aulas chegando. Mas sim, era o melhor a fazer e eu tinha que pensar em mim. Não renovei meu contrato e cá estou: com mais um nó na garganta e com a dúvida de ter feito e escolha certa.
Ainda não tenho como responder e não sei quando vou saber, mas agora eu tenho que seguir com o que me foi proposto e escolhido. Só me resta agradecer pelos seis meses de muita satisfação, experiência e alegria, com um grupo de colegas maravilhoso que sempre me compreendeu, até a última decisão. Optei por não citar nomes aqui, mas eles sabem quem fez parte da minha história no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e que eu vou levá-los pro resto da minha vida como pessoas que construíriam o início do meu trajeto como jornalista.
Nunca vou encontrar um lugar que aposte tanto nos estagiários, dando a oportunidade de apresentar um programa de Rádio sozinhos, de fazer as escolhas sozinhos. Fico muito feliz por ter feito parte disso, de ter crescido como pessoa e de ter criado as amizades que criei. Desejo tudo de bom para os que ficaram lá dentro e espero, do fundo do coração, que tudo volte ao normal, que as apostas sejam feitas aos que merecem e que todos tenham a chance de mostrar o ótimo trabalho que tem sido feito. Beijos a todos da Assessoria e até logo.

