segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Até logo e breve

- Vitória, a gente precisa conversar contigo rapidinho. - Disse meu chefe em um tom calmo e claro.

Segui até a sala de reuniões com o meu novo colega e amigo de estágio e aguardava pelo esperado: a notícia da saída definitiva da minha outra colega de estágio. Não seria surpresa para mim, já que havíamos conversado sobre o trabalho há alguns dias. Fiquei sentada, esperei o início do assunto, mas vi que as expressões passaram a ficar mais preocupantes e que alguma coisa não estava normal, mas ainda não sabia o quê. Continuei calma, afinal, já sabia o anunciado. Foi aí que começou:

- A Assessoria teve mais uma reunião com o "pessoal lá de cima" e ficou decidido que a nossa colega não permanecerá no estágio. Ainda não se sabe o motivo definitivo. Mas...

Foi com aquela conjunção adversativa que nunca me assustou no colégio que eu vi que dessa vez ela não me traria boas notícias. E ele continuou:

- Ficou decidido que, com a saída dela, o departamento de escrita e mídias sociais vai precisar de reforço. Logo, tu vais ter que passar a ficar mais com eles do que com a gente.

Eu nunca esperei por isso e, por mais incrível que pareça, eu não consegui raciocinar naquele exato momento. Foram segundos gelados e eu ri. Acho que o nervosismo foi o culpado. Mas depois de mais uns pensando e vendo que eu deixaria de fazer o que mais me animava e que eu amava eu vi:

- Olha, não sei se vou aguentar muito tempo fazendo isso. Eu entrei aqui por outras razões e são elas que me mantém aqui dentro.

O olhar era de total compreensão. O meu chefe sabia o que estava acontecendo e soube que a minha reação não era positiva. Fiquei alguns minutos tentando entender a situação depois que ele saiu da sala e conversei com o meu colega. Ele parecia bem mais chocado do que eu, o rosto estava perplexo e eu ria. Não sei como, mas de algum jeito eu acho que já esperava por uma situação desagradável. Logo depois, me encaminhei pra voltar pra casa e aí a ficha começou a cair.

No ônibus, ouvindo música, foi quando senti aquele nó na garganta. Não é fácil se receber uma notícia assim, do nada. Eu não sabia o que era melhor, se havia algum culpado na história, o que meus pais pensariam, mas eu só consegui definir que aquilo não ia me fazer bem. Que ficar dentro de um lugar que me fez bem por tanto tempo e me trouxe tantas alegrias por estar fazendo o que eu gosto, me deixaria muito decepcionada. Um pouco mais a cada dia. Quando entrei em casa, minha mãe veio feliz falar comigo, dizendo que ia ter churrasco, mas eu não demonstrei e respondi: "Vou sair do Grêmio".

Aquilo me doeu muito, ainda mais por pensar que eu não tinha para onde ir, nenhum estágio, nada. Apenas as aulas chegando. Mas sim, era o melhor a fazer e eu tinha que pensar em mim. Não renovei meu contrato e cá estou: com mais um nó na garganta e com a dúvida de ter feito e escolha certa.

Ainda não tenho como responder e não sei quando vou saber, mas agora eu tenho que seguir com o que me foi proposto e escolhido. Só me resta agradecer pelos seis meses de muita satisfação, experiência e alegria, com um grupo de colegas maravilhoso que sempre me compreendeu, até a última decisão. Optei por não citar nomes aqui, mas eles sabem quem fez parte da minha história no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e que eu vou levá-los pro resto da minha vida como pessoas que construíriam o início do meu trajeto como jornalista.

Nunca vou encontrar um lugar que aposte tanto nos estagiários, dando a oportunidade de apresentar um programa de Rádio sozinhos, de fazer as escolhas sozinhos. Fico muito feliz por ter feito parte disso, de ter crescido como pessoa e de ter criado as amizades que criei. Desejo tudo de bom para os que ficaram lá dentro e espero, do fundo do coração, que tudo volte ao normal, que as apostas sejam feitas aos que merecem e que todos tenham a chance de mostrar o ótimo trabalho que tem sido feito. Beijos a todos da Assessoria e até logo.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Indiferença e incompetência de sobra.

Um dos meus próximos objetivos é viajar para estudar. Ano passado, estudei muito para o exame de proeficiência inglesa (TOEFL) e consegui pontuação o suficiente para viajar para os Estados Unidos, mas a universidade não me agradou muito. Decidi buscar outras opções e percebi que a o Programa de Mobilidade Acadêmica da PUCRS poderia me ajudar. Me enganei.

É muito ruim falar mal da instituição que eu estudo e que tanto aprovei, mas esse setor ainda tem muito a desejar. Quem quiser ir precisa ser muito paciente e, sem dúvida, querer muito. O stress para descobrir tudo o que é necessário é grande e o desinteresse por parte dos funcionários também. Claro que eu não exijo conhecimento de cada canto das universidades conveniadas, muito menos noções específicas. Apenas quis saber quais eram as pontuações necessárias para o intercâmbio, qual universidade aceitava mais ou menos de 80 pontos no TOEFL. Nada consegui, eles nem sabiam informar e tiveram a coragem de responder que o caminho deles era o mesmo que eu fazia. Ou seja: "te vira". Fui atrás, consegui descobrir a pontuação e retornei a ligação informando que eu havia achado. Nesse momento o funcionário me respondeu que era provável que a pontuação fosse essa mesma e que era pra eu mandar um e-mail questionando as minhas dúvidas.

Será mesmo preciso que eu mande um e-mail para que eles façam o trabalho que é deles? Já não era pra ter uma tabela no próprio site com as notas? Com as pontuações atualizadas a cada ano? Não, eles não fizeram isso. Depois de descobrir isso e ter a informação confirmada, pesquisei sobre a cidade, universidade e vi que não era o que eu queria. Decidi então, procurar informações sobre as Universdades da Espanha. A diferença entra EUA e Espanha é que não há um TOEFL para o espanhol, logo, precisava das informações sobre o nível de espanhol aceito nas faculdades de lá.

Tudo uma grande confusão, mas tive certeza de que como faço espanhol dentro da PUCRS, não haveria o que complicar. Novamente, a Mobilidade mostrou incompetência. A informação dada pelos estagiários era que a professora se encontrava em período de férias e que esses dados só seriam esclarecidas no início das aulas. O grande problema disso tudo é que o próprio processo começa em março e uma viagem de seis meses para outro país, para fazer um semestre de Jornalismo e investir todo o dinheiro que é preciso, exige muito planejamento e pesquisa. Para eles, isso não importa. O aluno que se vire, que corra atrás da documentação, que descubra se a universidade é boa, que descubra se ele pode ser aceito, que faça milagres dentro de um mês. Que faça uma decisão difícil de forma muito rápida e o resto que se dane. Definição da Mobilidade: indiferença e incompetência.

É muito revoltante. A vontade é de desistir. Nunca esperei da PUCRS um serviço tão mal feito, uma vontade tão desleixada como é. O que falta no setor é organização e muito empenho de quem está lá dentro. Pra variar, eles já aceitaram o sistema de trabalho. Para eles, é normal dizer ao aluno que é assim que funciona e vai continuar funcionando. Para quê mudar se eles estão fazendo pouco e ninguém reclama de nada? Muito simples mesmo, mas é inaceitável manter um programa tão importante e criativo de uma forma péssima e decepcionante.

Vou pensar muito antes de viajar e de enfrentar esse mar de indiferença. Quem quiser se informar mais sobre o programa e tiver força de vontade para particiar, é só acessar o site: http://www.pucrs.br/pma. Lamento, mas não há informação o suficiente. Se quiserem se arriscar, liguem. Não indico.

Boa sorte.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Um post um tanto quanto desanimador

Ando desleixada com o blog, reflexo do que tem sido os meus últimos dias. Minha rotina se resume em trabalho e um pouco de diversão, mas ela praticamente acontece dentro do trabalho mesmo. Acordo de manhã, vou para o Olímpico, volto pra casa e permaneço em casa da sala pro quarto, do quarto pro banheiro, pra sala, pra cozinha, computador, telefone, televisão e tédio. Muito tédio numa cidade quente que, em plena estação da alegria, transforma as férias tão esperadas em um momento monótono que passa com poucas lembranças a serem relembradas.

As pessoas na minha volta me passam a mesma sensação. O retrato de uma vida sem aventura, sem emoção. Não ter carro pra passear uma hora dessas é bem ruim. Ir a um parque ou shopping durante à tarde até que é viável, mas companhia não há e o calor é desanimador. Caso tivesse um carrinho, provável que eu fosse em lugares mais longes, pegasse a companhia em casa, lembrando que seria tudo com ar condicionado ligado, e tentaria aproveitar um pouco mais essa minha vida fácil e cansativa de nada. Só para explicar, esse meu pavor com o calor é porque eu trabalho em uma sauna (não é uma sauna mesmo, mas chega perto, sem ventilador ou ar).

Não que o nada seja tão terrível assim, mas quem espera por um verão inesquecível e um início de ano própero, posso dizer que as minhas expectativas foram por água abaixo. Quando eu penso em ir à praia, me lembro: a profissão da minha vida me chama. Sim, trabalho nos finais de semana também. Mas eu tenho certeza que o sacrifício de hoje vai ser bem recompensado amanhã. Um amanhã distante, mas esperançoso e bem guardado.

Falando em estar guardado, indecisões têm sido uma realidade em 2011. Um turbilhão de ideias a serem colocados no papel, em ação e um bilhão de opções tentadoras que me fazem repensar e repensar de novo. Acho difícil que eu volte a ter tantos caminhos na minha vida como eu tenho agora. E isso não se resume a ideias, engloba todo o meu cotidiano em todos os aspectos possíveis - menos os valorativos, ok? Bem provável que esse pedaço de início de ano tenha sido pra eu pensar mesmo. Avaliar o que eu mereço, o que eu quero e tudo o que eu ainda posso ter. Se é que eu quero alguma coisa.

Essa confusão mental me fez pedir ajuda a minha família. Perguntei qual era o melhor caminho a seguir, mas todos me respondem a mesma coisa: deixa o tempo rolar, deixa a vida acontecer que, daqui a pouco, tudo se esclarece como deve. Estou fazendo isso, seguindo um baita clichê: dando tempo ao tempo. Vamos ver se isso vai ser o suficiente pra me recolocar na tranquilidade anterior e fazer com que tudo se estabilize. Quando isso acontecer, eu volto e conto mais.