Fazer sem pensar é perigoso, mas deixar de fazer por pensar muito é mais perigoso ainda. Se arrepender por ter feito é quase tão ruim quanto por não ter feito, só não é pior. Querer fazer e não poder é intolerante, mas poder e não querer é entediante. Depender dos outros para se decidir é agoniante, mas fazer com que os outros dependam de ti é preocupante.
Já ouvi de muitas pessoas que pensar demais em algumas situações é só perda de tempo. Quanto mais acho que as coisas ficam claras, mais elas se misturam e mais eu deixo de fazer. Só que quando eu faço, mais eu penso e repenso e vejo que eu estou perdendo tempo de novo.
Esperar é irritante, mas dependendo do que se espera é confortante. Nunca se sabe nem o que vai acontecer, mas quando acontece se vê que não é o que se quer definitivamente. E se nós esperarmos até a certeza e surgir mais uma incerteza? E se nós deixarmos de fazer por medo ou por insegurança quando algo é óbvio mas invisível? E se eu esperar até outra chance e ela não surgir? E se a resposta chegar mas não como eu queria? E se depois da resposta eu vejo que não se relaciona com a pergunta? E se eu ficar nas dúvidas até que elas desapareçam pelo tempo desperdiçado e não vivido?
Exatamente por isso que faço, mesmo com todas as dúvidas e indecisões existentes, mesmo com a incapacidade de compreender e fixar, mesmo com o desconhecimento do que pode vir, mas com a razão de que se não vier pelo menos foi vivido e tentado com consciência e esperança.


Saber relacionar de forma tão coerente ações tão complexas e que implicam nas nossas escolhas é muito complicado. Você conseguiu expor esse assunto de uma forma brilhante, me fazendo refletir sobre a forma como encaro algumas decisões, parabéns.
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