quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Início de uma nova era

Era uma tarde ensolarada na rua Alberto Frederico, interior daquela região afastada e distante do movimento. Tudo funcionava muito bem, nos conformes. As casas não necessitavam de trancas nem de cercas elétricas. Toda a vizinhança era comum. Isso marcava o ano de 1933. Os vizinhos eram vistos como família - era festa quando um desconhecido da capital os visitava, mas isso geralmente não acontecia. Quem visitaria aquela zona rural tão distante e independente de energia elétrica? Há dois anos, um político de uma das regiões próximas, da Vila Pública, pensou em visitar e ver o que seria possível melhorar para toda aquela gente. Não era o que eles queriam. Ali era tudo muito bom. As crianças corriam sem perigo, a moeda de troca não era o dinheiro maldito da zona urbana que mudava e que sacrificava vidas pelo egocentrismo. Aliás, esse político tão repugnado, chamado entre os fãs de Jorginho da Boa Vontade, era temido por todos os vovozinhos e vovozinhas que ali moravam. Toda a comida que ali era colhida podia ser tomada em questão de um dia, sem que nada pudesse ser feito. O que fariam sem os animais que forneciam alimento para aquela pequena população de 1.584 moradores? Era um grande problema. Mesmo com a ameaça, nada foi feito.


Passaram-se dias tranquilos e normais como qualquer outro por ali. Nada mudava. Era um ciclo de vida. Os bebês nasciam, já pré-destinados com quem casariam e formariam uma família. Cada uma delas era responsável por uma parte do que se utilizava. Foi daí que surgiram os "sobrenomes" de cada família. Até porque, cartório nao existia, muito menos um RG ou coisa parecida para cada cidadão. Para quê nomear as famílias com nomes estranhos se era possível apenas separar seus deveres e assim se conhecia todos? Muito mais prático. O nome da aldeia poderia se chamar praticidade até. Não havia briga ou conflitos por dinheiro, posição de classe social. Todos iguais: das roupas até as riquezas naturais. Talvez, a única coisa que realmente vinha de fábricas eram os macacões usados. Simples, discretos e suficientes para o trabalho árduo daquele povo. Foi assim que se viveu durante muitos e muitos anos. Não se sabe desde quando aquele povo habita ali. Não há livros para provar o que passou nem o que se passa. Foi exatamente por isso que o da Boa Vontade quis se aproveitar da situação.


A tarde era muito típica de domingo. As famílias estavam reunidas conversando e planejando a semana - o que até era perda de tempo, tudo seria igual novamente.Nem tudo correu como deveria. A rotina das famílias era a seguinte: todos acordavam com as galinhas, literalmente. Cerca das 5 horas da manhã todos estavam de pé aguardando pelos afazeres. A manhã era regada de muito trabalho cansativo. Cuidar dos animais, recolocar tudo em ordem, plantar, colher, planejar o que será feito durante a tarde e preparar a comida - o almoço era sempre feito em grandes quantidades já que as famílias se reuniam para almoçar juntas. A diferença foi que justo naquela tarde comum, o senhor-não-esperado resolveu aparecer por ali. Na rua de chão batido repleta de calmaria e felicidade...

A partir de hoje, as histórias fictícias escritas pelo Vitoria&Jornalismo terão duas possibilidades de final, desconhecidas, é claro: http://www.finalum.blogspot.com/ou http://www.finaldois.blogspot.com/ .

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