terça-feira, 28 de setembro de 2010

Armando nostalgia

Eu estava indo pra minha aula como de costume. Na mochila tinha o meu estojo com uma ou duas canetas, borracha, lápis e o estilete. Comecei a faculdade há três anos, nunca gostei muito de estudar, mas precisei aprender a fazer caso quisesse realmente me diferenciar entre os outros. Todos os dias eu pego o D43 pra ir até a PUC, mas logo nesse dia eu acabei pegando o Ipiranga Puc. É mais lento, mas foi o primeiro que passou na parada.

Por sorte, tinha um lugar vazio lá no fundo, aonde tem 5 bancos grudados mais altos. Não gosto de sentar lá, mas as minhas pernas precisavam descansar um pouco. Sentei, tranquilo e pensativo sobre como eu reagiria a um assalto. Sempre penso nisso, acho que é preciso fazer isso numa cidade grande como a que eu vivo. As pessoas são ruins, cada dia a tv fala uma maneira nova de tortura e opções absurdas para se acabar com a vida de alguém. Exatamente por isso que procuro não andar com muito dinheiro no bolso, nem relógios chamativos ou qualquer coisa a mostra. Mas é sempre bom ter algum dinheiro para não levar uma facada.

A primeira coisa que me veio a cabeça são aqueles sequestros que acontecem de vez em quando. Assaltantes enlouquecidos, chapados e loucos, com armas e prontos para sairem dali com tudo o que for possível. Me lembrei também daquela moça que foi morta no Rio de Janeiro há um certo tempo. Eu não sei como reagiria, mas a única coisa certa é que as pessoas só sabem se unir em situações como essa. Todo mundo tentando se manter calmo, alguns tentando alguma estraégia para se livrar do bandido e essas coisas. Pena que isso só acontece assim. Esse sentimento de sobrevivência. A necessidade de voltar pra casa e rever os filhos, pais, mães. Só quando estamos em situações assim que nos damos conta de quão boa a vida é. Ou então do quanto somos ingratos reclamar de problemas mínimos perto de uma doença, uma morte, um assalto.

Eu me mantive quieto o percurso todo até que o que eu sempre pensei aconteceu. Um homem alto, magro e vestido todo de preto entrou já anunciando o assalto. Todos entraram em pânico e aquela feições de desespero aconteceram. Alguns se olharam como se fossem irmãos, um olhar de carinho e medo. Tenho certeza que a primeira coisa que passou na cabeça foi a família e os bens que não se compram. O assaltante tinha um saco preto que ele ia passando e recolhendo tudo o que era possível. Aqueles que demonstravam mais desespero eram mais prejudicados ainda. Davam a bolsa, tênis, relógio, celular e tudo o que fosse possível. Já os outros só davam a carteira e tudo estava normal, tranquilo novamente. A arma foi o mais assustador. É um objeto de nostalgia. Quando a olhamos com aquilo é como se a tua vida estivesse sido de 5 minutos, enquanto alguns pensam como viveram pouco. Eu fui o desesperado. Não sei o que me deu. Eu chorava e implorava por mais alguns anos pra poder aproveitar e dizer a todos que eu os amava, que eu faria tudo melhor, faria mais bem feito, ajudaria todos os que fossem possíveis. É, ele não me escutou. Eu só sei que deu um barulho alto, seguido de berros. Não lembro de mais nada. Acordei no hospital.

As enfermeiras só diziam pra eu manter a calmo, mas eu não entendia. Até que eu passei a voltar pro mundo. Não tinha como levantar, meus braços e minhas pernas eram pesos mortos. Mortos. Toda a minha família estava lá, chorando e tentando me consolar. Hoje, eu penso todos os dias o quanto eu devia ter corrido mais, ter usado meus músculos vitais pra dizer tudo aquilo que eu disse que se passa na cabeça de quem está entre a vida e a morte. Eu me limito entre as rodas e a vontade de continuar. Só tenho a certeza de que a próxima vez que eu pegar um ônibus que nem aquele eu já vou ter dito tudo, feito tudo e aproveitado o máximo pra que naquela hora eu não queira fazer isso em 40 segundos e, daí sim, acabar com os meus 40 anos sem sinais vitais.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Início de uma nova era

Era uma tarde ensolarada na rua Alberto Frederico, interior daquela região afastada e distante do movimento. Tudo funcionava muito bem, nos conformes. As casas não necessitavam de trancas nem de cercas elétricas. Toda a vizinhança era comum. Isso marcava o ano de 1933. Os vizinhos eram vistos como família - era festa quando um desconhecido da capital os visitava, mas isso geralmente não acontecia. Quem visitaria aquela zona rural tão distante e independente de energia elétrica? Há dois anos, um político de uma das regiões próximas, da Vila Pública, pensou em visitar e ver o que seria possível melhorar para toda aquela gente. Não era o que eles queriam. Ali era tudo muito bom. As crianças corriam sem perigo, a moeda de troca não era o dinheiro maldito da zona urbana que mudava e que sacrificava vidas pelo egocentrismo. Aliás, esse político tão repugnado, chamado entre os fãs de Jorginho da Boa Vontade, era temido por todos os vovozinhos e vovozinhas que ali moravam. Toda a comida que ali era colhida podia ser tomada em questão de um dia, sem que nada pudesse ser feito. O que fariam sem os animais que forneciam alimento para aquela pequena população de 1.584 moradores? Era um grande problema. Mesmo com a ameaça, nada foi feito.


Passaram-se dias tranquilos e normais como qualquer outro por ali. Nada mudava. Era um ciclo de vida. Os bebês nasciam, já pré-destinados com quem casariam e formariam uma família. Cada uma delas era responsável por uma parte do que se utilizava. Foi daí que surgiram os "sobrenomes" de cada família. Até porque, cartório nao existia, muito menos um RG ou coisa parecida para cada cidadão. Para quê nomear as famílias com nomes estranhos se era possível apenas separar seus deveres e assim se conhecia todos? Muito mais prático. O nome da aldeia poderia se chamar praticidade até. Não havia briga ou conflitos por dinheiro, posição de classe social. Todos iguais: das roupas até as riquezas naturais. Talvez, a única coisa que realmente vinha de fábricas eram os macacões usados. Simples, discretos e suficientes para o trabalho árduo daquele povo. Foi assim que se viveu durante muitos e muitos anos. Não se sabe desde quando aquele povo habita ali. Não há livros para provar o que passou nem o que se passa. Foi exatamente por isso que o da Boa Vontade quis se aproveitar da situação.


A tarde era muito típica de domingo. As famílias estavam reunidas conversando e planejando a semana - o que até era perda de tempo, tudo seria igual novamente.Nem tudo correu como deveria. A rotina das famílias era a seguinte: todos acordavam com as galinhas, literalmente. Cerca das 5 horas da manhã todos estavam de pé aguardando pelos afazeres. A manhã era regada de muito trabalho cansativo. Cuidar dos animais, recolocar tudo em ordem, plantar, colher, planejar o que será feito durante a tarde e preparar a comida - o almoço era sempre feito em grandes quantidades já que as famílias se reuniam para almoçar juntas. A diferença foi que justo naquela tarde comum, o senhor-não-esperado resolveu aparecer por ali. Na rua de chão batido repleta de calmaria e felicidade...

A partir de hoje, as histórias fictícias escritas pelo Vitoria&Jornalismo terão duas possibilidades de final, desconhecidas, é claro: http://www.finalum.blogspot.com/ou http://www.finaldois.blogspot.com/ .

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O meu mundo em um post

Mais uma baleia morreu. Não aguento mais propagandas políticas. Carros de som e placas pela cidade deviam ser proibidos. Preciso de verão. Vou falir com shows nos próximos meses. Cansei de festear e gastar dinheiro pra ser pisoteada. Ressacas me deixam depressiva. O idiota do Serginho Mallandro tentou fazer Glu Glu numa blitz policial. Não adiantou. Grêmio está em crescimento e evolução na tabela. Eu não sei fotografar. Semestre com mais aulas práticas da vida. Não tenho tempo pra atualizar o blog. Nem idéia de um assunto só. Ideia caiu acento. Plateia também. Também não. Não.

Conheci bandas novas. Tô cansando de algumas coisas e pessoas. Tô virando velha. Meu siso tá cada vez mais visível. Preciso de um tênis confortável. Quero deixar de ser sedentária. Odeio nike. Bull terrier é meio feio. Vans me deu bolhas. Voltei a pé pra casa do trabalho. Não decidi em quem votar nas eleições e as propagandas me irritam cada vez mais. Não estou mais na TPM. Esse post está sem nexo. Sinto saudade de pessoas que não deveria. A Zero Hora não disponibiliza mais a parte impressa pelo site. Tenho um trabalho de foto pra hoje. Não fiz. Vou fazer até lá. Preciso estudar. Mais. Porto Alegre está me cansando. Preciso viajar. Nem que seja pra Viamão. Sinto necessidade de ajudar pessoas de rua. Acabo não fazendo nada. Só fico triste.

Meu trabalho é a parte boa do dia. A aula faz meus olhos pesados. Tomo guaraná em pó pra inverter isso. Twitter é estranho. Facebook é complicado. Orkut não é mais o mesmo. Festas não são mais iguais. Bebidas são caras. Meu salário é pequeno. Sou mão de vaca. Vou parar de sair. Preciso de roupas novas e de uma escova progressiva. Frizz. Não fiz. Jornais não são como antigamente. Só fofocas. Não quero saber se o Dado Dolabella pegou mais uma. Grande coisa se uma pampacat tá no hiper tensão. Que bom que a Globo tem novelas ótimas. Não posso escrever o que eu queria. Comecei a ler "Wuthering Heights". Tem gente na rua passando frio e fome. Continuo escrevendo coisas sem nexo. Enganaram uma moradora de rua. Ela está esperando até hoje pelo o que disseram. O cachorrinho passou a dormir no frio. Ela guardou a cama pra aguardar. Eu não posso fazer nada. Não entendo o que ela fala. Isso é muito injusto.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Quanto tempo... voltei!

Aconteceu o que eu previa: não tive mais tempo para postar aqui no VitoriaeJornalismo. Mas calma, hoje eu tenho muita coisa pra falar, nem sei por onde começar. Primeiro, tenho que falar que não fiquei milionária. Joguei na Mega Sena feliz da vida, esperando conseguir uma quina (não sei se não é pior do que errar todos os números), mas não. Errei todos. Não acertei nem umzinho pra ficar feliz. Eu não entendo como pode ser tão difícil. Aliás, nunca fui bem em análise combinatória pra saber as probabilidades. É essa parte da matemática que vê isso, né? Viu, nem isso eu sei. Enfim, as chances são mínimas. Mesmo sendo "só" 60 números, é praticamente impossível "meganezear". Eu, bem leiga no assunto, fui jogar o mais simples: seis números, dois reais e era isso. Enquanto eu jogava e escondia os meus preciosos seis números que resultaram em nada, alguns profissionais da Mega gastavam 150 reais em apostas. Aliás, profissionais não né. Se fossem, eles já tinham ganho. Acho que devo chamá-los de viciados mesmo. Não entendo como conseguem gastar 150 reais. É como por dinheiro lixo.

Depois de esperar ansiosamente pelo resultado e ver que errei todos, cheguei à conclusão: vou estudar, atualizar meu blog, conseguir leitores, estudar de novo, trabalhar e ver se algum dia eu chego com um cento e quarenta e seis avos desse prêmio. To inspirada com a matemática hoje. Mas como vocês viram, eu sou tão ruim com números, mas tão ruim, que nem na Mega eu consigo alguma coisa. Não tem jeito. Pelo menos eu estou na profissão certa. Fico me imaginando em alguma engenharia ou administração e logo me vem uma imagem na cabeça: eu com uma vassoura e logo depois a minha conta com um milhão trezentos e cinquenta mil avos do prêmio. Ficou difícil agora, número muito grande pra mim.

Bom, como eu tinha dito, tenho muita coisa pra contar. Pra começar, hoje deveria ser feriado, mas não sinto esse gosto. Tenho trabalho e a difícil tarefa de ter acordado antes das dez. Eu não lembro a última vez que tive essa sorte. Estou que é uma idosa. Durmo lá pelas dezs ou onze horas, acordo lá pelas oito. Sempre assim. Quando chega o final de semana e penso: "Ah, vou dormir muito". Não vou não. Ou tenho o francês ou trabalho, ou viagem, ou aula, ou qualquer coisa que me não me deixa em paz. Vou admitir que está mais fácil do que eu imaginava. Os 30 créditos ainda não me derrubaram. Outra novidade: meu siso está nascendo. Inútil, não? Mas eu passei a acreditar no ditado. Virei uma pessoa responsável depois dele. Trabalho, estudo, menos festa. É impressionante mesmo...

Quase toda semana eu tenho trabalho de fotojornalismo. Vou postar um dia desses algumas delas pra vocês verem o quanto eu preciso melhorar. Estou no caminho, juro. É bem difícil, para os amadores que nem eu, controlar velocidade, luz, diafragma e um turbilhão de técnicas. Sei que com os bons professores da PUC eu vou tomar algum rumo. Falando na Famecos, está chegando o SET Universitário. Quem não sabe, é uma semana de eventos focados na comunicação social. Palestras, brincadeiras, festa e até um show da banda dos professores. Eu adoro essa semana. Ano passado ótimos profissionais deram palaestras. O melhor ainda é que essa semana conta pras nossas horas complementares. Quem se interessar é só entrar no portal do Eu Sou Famecos e se informar - está aí uma das vatagens de pagar tão caro pela faculdade e é por isso que eu ainda prefiro a PUCRS.

E pra terminar, não podia faltar a minha sessão indignamentos aqui no blog. Como prefiro manter sigilo em alguns comentários, aconteceram algumas reclamações, as quais naõ vou falar, só reclamar mesmo. Eu acho muito fácil apenas assitir a algum programa, ler algum jornal ou seja o que for dentro da comunicação. Caso muitos ainda não saibam, para ser um bom profissional não basta apenas vocação ou um diploma - no caso do jornalismo nem isso -, mas muito mais do que isso, é preciso estudo e experiência. Eu gostaria ir um dia no centro ou em qualquer lugar com movimento e chamar pessoas para que elas escrevessem um texto dentro das ténicas exigidas nos jornais, ou então dar um microfone e um texto para que elas decorassem em pouco tempo e gravassem da forma correta. Não é fácil nem simples. E para essas pessoas que ainda não se deram conta disso, eu faço questão de enfatizar para que antes de qualquer crítica, elas se coloquem no lugar ou então comparem com as suas profissões. Eu nunca vou admitir que alguém chega e fale que não é necessário um diploma no jornalismo. E se alguém quiser criticar que venha com justificativas coerentes - se é que elas existem. Eu sou capaz de aceitar críticas quando elas fazem sentindo e, ainda sou capaz, de concordar com elas. Mas não venham com essa mesmice que leigos e amadores falam todo santo dia. Besteiras e pré-conceitos ridículos que nem sequer fazem jus ao que é dito. Termino o meu texto assim e gostaria de respostas daqueles que não concordam com as minhas palavras.