quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Nunca serão

Já que são poucas as letras que ainda fazem a gente pensar sobre o que realmente nos afeta, essa foi feita pra causar muita reflexão.Me arrepio ao ouvir essa letra: "Nunca Serão" - Gabriel O Pensador

Eu caminhava no meu Rio de Janeiro quando alguém me parou e falou:
"Aê parceiro, me dá tua mão que eu quero ver se tá com cheiro
Porque eu sou um cara honesto e detesto maconheiro"
Eu tinha acabado de sair do banheiro e dei a mão pra ele cheirar
Mas foi uma cena bisonha
Ele cheirou a minha mão por um tempo e eu disse:
Espera, tu não é o Capitão Nascimento?
Que vergonha, meu capitão
Procurando maconha no calçadão
Qual é a tua missão?
Eu vi teu filme mas não me leva a mal
Não me tortura assim não que eu sou um cara legal
Em certas coisas eu concordo contigo
Mas não é assim que você vai achar os grandes bandidos
Esse país tá fodido

Ele falou: 'Eu sei disso
Quando eu entrei na PM, eu assumi um compromisso, eu luto pela justiça'
Eu também
Sem justiça não tem paz e sem paz eu sou refém
A injustiça é cega e a justiça enxerga bem
Mas só quando convém
A lei é do mais forte, no Bope ou na Febem
Na boca ou no Supremo
Que justiça a gente tem, que justiça nós queremos?

Os corruptos cassados?
Nunca serão!
Cidadãos bem informados?
Nunca serão!
Hospitais bem equipados?
Nunca serão! Nunca serão! Nunca serão!

Os impostos bem usados?
Nunca serão!
Os menores educados?
Nunca serão!
Todos alfabetizados?
Nunca serão! Nunca serão! Nunca serão!

Capitão, não sei se você soube dessa história
Que rolou num povoado peruano se não me falha a memória
Um político foi morto pelo povo
Um corrupto linchado por um povo que cansou de desrespeito
E resolveu fazer justiça desse jeito
Foi um linchamento, foi um mau exemplo
Foi um mau exemplo mas não deixa de ser um exemplo
Eu sou contra a violência mas aqui a gente peca por excesso de paciência
Com o "rouba mas faz" dos verdadeiros marginais
Chamados de "doutor" e "vossa excelência"
Cujos nomes não preciso dizer
A imprensa publica, mas tudo indica que a justiça não lê
Diz que é cega, mais o lado dos colegas ela sempre vê
Capitão, isso é um serviço pra você!

Deputado! Pede pra sair!
Pede pra sair, deputado!
Sabe o que você é? Um muleque, é isso que você é
Senador, pede pra sair!
Mais alto senador!
Vagabundo, cadê o dinheiro que você desviou dessa obra aqui?
Fala, Vossa Excelência, é melhor falar!
Cadê a verba da merenda que sumiu?
02, o corrupto não quer falar não! Pode pegar o cabo de vassoura!

Os corruptos cassados?
Nunca serão!
Cidadãos bem informados?
Nunca serão!
Hospitais bem equipados?
Nunca serão! Nunca serão!! Nunca serão!!!

Os impostos bem usados?
Nunca serão!
Os menores educados?
Nunca serão!
Todos alfabetizados?
Nunca serão! Nunca serão!! Nunca serão!!!

Conversei com o Nascimento que não pensa como eu penso mas pensando nós chegamos num consenso
Nós somos vítimas da violência estúpida que afeta todo mundo, menos esses vagabundos lá da cúpula corrupta hipócrita e nojenta
Que alimenta a desigualdade e da desigualdade se alimenta
Mantendo essa política perversa
Que joga preto contra branco, pobre contra rico e vice-versa
Pra eles isso é jogo, esse é o jogo
Se morre mais um assaltante ou mais um assaltado, tanto faz
Pra eles não importa, gente viva ou gente morta
É tudo a mesma merda
Os velhos nas portas dos hospitais, as crianças mendigando nos sinais
Pra eles nós somos todos iguais
Operários, empresários e presidiários e policiais
Nós somos os otários ideiais
Enquanto a gente sua e morre
Só os bandidos de gravata seguem faturando e descansando em paz
Enquanto esses covardes continuam livres, nós só temos grades
Liberdade já não temos mais!

Nunca serão!


Boa 06, também atirando com o meu fuzil fica fácil, né?
Caveira!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

É tempo dos caminhões da Coca-Cola

Quantas pessoas esperam por órgãos, medula, sangue, vida? Como deve ser ruim viver cada dia como se o outro estivesse bem mais distante do que o normal. Faz bem pensar nos outros e tentar ajudar sempre que possível. Bem que nós podíamos aproveitar esse clima natalino que tanto aguça a nossa união até com quem a gente não gosta e ajudar aqueles que passam todos os dias na mesma desilusão e na busca por algo incerto e insatisfatório.

Hoje mesmo presenciei uma ironia. Todo dia eu pego ônibus pra ir pro trabalho na redenção e vejo vários moradores de rua até lá. Quando passava pelos bancos verdes - camas pra alguns - vi um senhor todo sujo, vestido com uns trapos e um, sem nem pensar, ele segurava um copo do McDonalds. Só não foi engraçado porque é muito triste. Terrível saber que as pessoas dormem tranquilas sem fazer nada pelas outras, sem se preocupar com o mínimo de direito humano. Foi a perfeita cena do capitalismo que a gente vive diante de mim.

Outro dia, passei em frente ao HPS e vi uma menina agarrada no seu cachorro - muito bem cuidado - no meio da calçada. Em um sono profundo e característico de quem dormiu pesado depois de passar uma noite acordada. Isso é muito revoltante. Mais ainda em ver pessoas fúteis que se preocupam em comprar as maiores inutlidades por conforte e mesquinhez. Não julgo o dinheiro como causador disso tudo. Até porque, muitos que têm o acesso a essas mordomias muito trabalharam e merecem essa conta recheada. A questão é o porquê de não querer compartilhar uma pequena parte e doar comida, roupas, ou então, doar sangue, ser doador de órgãos - isso não custa nada nem dinheiro.

É uma pena que a gente só pare pra pensar em boas ações no Natal. Uma data criada pelo interesse comercial, mas que ainda assim é um tempo de reflexão e agradecimento por tudo o de bom que nós temos. Esse fim de ano se encerra com muita alegria por tudo o que fiz e conquistei e como diria o meu professor: "Todos seríamos perfeitos se não fossem as conjunções adversativas". Já que elas existem e muito fui obrigada a usar nas redações do colégio, peço pra que aproveitem muito, mas não esqueçam que muitos só pedem o que nós temos todos os dias: comida, carinho, casa e conforto.


Feliz Natal!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cinicamente verdadeiro: hoje

O que falta nesse mundo perverso e superficial é o questionamento. A razão de não ter postado por todo este tempo foi exatamente isso. Me pergunto se devo ou não compartilhar minhas dúvidas e se as mesmas serão compreendidas. Foi assim que vi que o "acho, talvez, confesso" são palavras inúteis e dignas de serem deixadas - ou até riscadas - da vida de quem pretende mudar o mundo caótico e injusto. O mesmo de todos.

Eu vejo todos rindo e se cumprimentando com sorriso largos e cheios. Cheios de falsidade e contra a vontade dos que movem os músculos faciais. Até a risada foi vulgarizada. Todos se amam, todos têm o interesse de garantir a "amizade" para caso um dia ela seja necessária pra uma promoção no trabalho ou para se livrar de algum problema.

Me chamam de antipática quando vejo uma pessoa - por mais que tenha convivido por anos - e apenas faço um sinal com a cabeça. Acontece que pra mim ela não faz diferença, nunca fez e caso venha fazer algum dia, tenho certeza que não vai ser fruto de uma convivência cínica. Conto os meus amigos de verdade nos dedos. Todos eles que conviveram por muito tempo e sabem os meus piores segredos. Tirando eles e a minha família - pai, mãe e irmã -, todos não passam de colegas e conhecidos. Alguns íntimos e outros apenas rostos que eu vejo e sigo fazendo o mesmo sinal com a cabeça todo dia.

Sim, tenho os colegas e conhecidos que admiro, que gosto e que me dou bem. Mas eles permanecerão nesta divisão e classificados grosseiramente enquanto eu não puder ter a certeza de que posso confiar. Aliás, a desconfiança: uma das características mais positivias que eu podia ter nos dias de hoje.