quinta-feira, 27 de maio de 2010

Empurrando a carroça com a barriga. Até quando?

Hoje, enquanto trabalhava, me deparei com uma realidade: a implementação da Lei das Carroças em Porto Alegre. É muito comum ouvir falar sobre o assunto mas, mesmo assim, para muitos isso fica só no jornal ou na televisão.

Ainda nesse semestre, gravei o primeiro standup da cadeira de Telejornalismo I. O assunto era livre, bastava ser regional. Escolhi falar sobre a nova lei das carroças, que até então fica só nos planos, mesmo com todos os maus-tratos que ocorrem. Cansei de ver cavalos cansados em meio a um trânsito caótico apanhando e puxando muito lixo nas carroças. Creio que o certo seria falar com o carroceiro ou então ligar para EPTC. Penso então que corro o risco de ouvir do carroceiro ou sofrer algum tipo de agressão, senão, opto por chamar a EPTC, que com certeza demoraria o tempo suficiente da carroça se locomover para outro lugar. Além dos problemas causados aos animais, ainda sofremos com o trânsito lento.

Foi divulgado, hoje, que a tal lei seria antecipada (a lei foi aprovada em 2008). O que antes seria "abolido" até 2016, agora passa para 2014. A decisão deve ter sido influenciada graças à Copa - creio eu. Se realmente for, é triste ver uma atitude tão importante ser tomada apenas por um grande evento. Segundo a matéria divulgada pela Câmara Municipal de Porto Alegre no mês passado, existem cerca de 8 mil cavalos nas ruas de Porto Alegre. Infelizmente, para que ocorra a apreensão do cavalo somente se houver o flagra de maus-tratos. Além da EPTC ter que flagar o ato, um veterinário ainda teria que ver se há mesmo o crime. Em muitas vezes, ainda, o cavalo é devolvido ao dono.



A ideia principal da Lei é retirar os veículos de tração animal e de tração humana das ruas. Para que isso ocorra, os carroceiros deveriam fazer o cadastro dos animais - o que é muito difícil -, mas eles não querem se desfazer da informalidade. Enfim, é uma grande bola de neve que envolve os animais, donos, autoridades e cidadãos comuns. Espero que a nova lei seja mesmo cumprida e dê não só aos animais direitos básicos de vida, mas também aos carroceiros novas oportunidades de trabalho. Querendo ou não, eles dependem dos animais para trabalhar, são o único meio de locomoção.


Cabe à sociedade rever todos esses conceitos e agir junto das autoridades para que a lei seja mesmo exercida e não só regulamentada. Acho difícil que tal meta seja alcançada, até porque dependerá da fiscalização, a qual deve entrar em ação dentro de 90 dias. Se não ocorrer como a Lei Seca, talvez haja alguma mudança.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dever de todos

É incrível como alguns professores e funcionários lidam com a educação. Faculdades públicas ou particulares enfrentam tal problema diariamente. Como estudante de ensino superior, sei como é ir todos os dias às aulas e ver o desânimo dos professores. Trabalhos sem fundamentos, ou então, apresentações como se fossem obrigados a fazer tal ação.

Não só jornalistas, mas também professores são formadores de opinião da sociedade, imaginem então os professores de jornalistas. Creio que, hoje, é normal ver pobreza, insatisfação e, principalmente, o "deixa assim". Se enquanto estudo, vejo colegas meus falarem assim, penso que futuramente eles não só pensarão, mas agirão assim. E aí? Como ficará o futuro de uma sociedade indiferente perante tantos problemas revoltantes? Semana passada, assisti a uma reportagem sobre problemas hospitalares. Inacreditável como foi possível ver o sofrimento alheio e não fazer nada. Enfermeiras paradas ao lado dos pacientes, enquanto a câmera escondida gravava a barbaridade.

Além disso, mandei uma reportagem feita por mim sobre atrasos de ônibus em Porto Alegre para o Leitor-Repórter da Zero Hora. A reportagem mostrou como o problema é visto perante funcionários da Carris e da EPTC e também explicou como deve ser feito em casos de atraso e mudança de itinerários. Claro que ela não foi publicada, até porque eles se preocuparam mais em publicar sobre o pôr-do-sol do que problemas que acontecem na capital.

Pretendo, neste blog, expor o que acontece e o que deve ser feito para evitar. Não podemos ficar sentados na frente da televisão, jornal, computador ou rádio. Se todos esperarmos pelo próximo nada acontecerá. Ainda mais em um país que a cada dia toma soluções mais descabidas para o que realmente é. O que é o caso do diploma de Jornalismo. Como apoiar tal decisão enquanto o Brasil é o país com maior número de analfabetos da América Latina? (conforme indica pesquisa da Unesco).

Enfim, neste primeiro post do VitoriaeJornalismo, tento introduzir o que será tratado nas próximas semanas e espero que, assim como eu, outros façam a sua parte. Todos devemos expor o que está errado e o que se deve fazer. Seja indo na coordenação da faculdade reclamar do método de um professor, seja ligando em caso de reclamações mais abrangentes. Nós temos direitos como cidadãos mas, principalmente, o dever de exigi-los.